terça-feira, 10 de março de 2020

Coronavírus


Como uma potente onda que varre o planeta, o coronavírus vai percorrendo o mundo, paralisando de medo as populações e com os governos a tomar as medidas mais cautelosas, deixando para segundo plano as consequências económicas de todo este surto.
Este vírus, pequeno e invisível está a causar mais estragos que sucessivos governantes que na sua insanidade gerem países como coutadas pessoais, guerreando, matando, expulsando cidadãos, sem nenhuma noção da sua finitude. 
Mesmo assim os homens não querem aprender com as lições que se lhes apresentam!
Vamos sendo informados e desinformados... Percebe-se a impotência de lidar com algo que ninguém sabe de onde veio, onde se esconde e como se combate.
Teorias alarmistas, outras nem tanto, confiando tratar-se apenas duma derivante da gripe e muitas, muitas teorias da conspiração...
Pesadelo de hipocondríacos.
Uma economia que se descura e outra que prospera com o açambarcamento típico dum tempo de guerra.
Mas enquanto tudo isto acontece um pouco por todo o mundo, nos nossos antípodas, a causadora de tudo isto, a China, com a sua organização e disciplina, provavelmente já se está a reorganizar economicamente para suprir no mundo os produtos que nesta fase escassearam mas que se tornaram de primeira necessidade à escala global.
Moral da história:  a China adoece e o mundo treme!

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Cidade de contrastes

 


O lugar é a mistura entre o silêncio e o ruído: o silêncio de quem espera, de quem sofre; o ruído de quem trata, de quem cura…

O lugar tem o cheiro da doença, da morte. Percebe-se em alguns o olhar ausente, os corpos deformados, o fim da linha...

Eu olho esses rostos assustados que procuram nos meus olhos a esperança que lhes falta, a palavra que conforta, a decisão que tarda.

Palavras desconexas, confunde-se o tempo e o lugar… piedosa inconsciência…

Pessoas que foram, fizeram e sonharam. Que apesar de tudo e tanto, estão sozinhas no espaço da doença, na dor e no desespero.

Saio é noite e na rua percorro a cidade rumo a casa. Aqui a vida fervilha, caminha, vive as emoções e a esperança...

Jovens e menos jovens se reúnem, autónomos, capazes.

A vitalidade nos corpos e nas vozes, a saúde.

Aqui o mundo ainda é um lugar de ilusões.

Quem sabe amanhã…

















quinta-feira, 13 de junho de 2019

Prostituir a essência


Sendo o corpo pertença de cada um, cada um faz dele o que bem entende. Não esquecer, porém que o que se faz ao corpo faz-se à mente, à alma, ao espírito, no fundo à nossa essência que é aquilo que somos, independentemente dos nomes que nos damos. Quando aviltamos o corpo, aviltamos sem dúvida a essência que nos coloca acima dos animais irracionais.

Vive-se num tempo em que se quer experienciar exaustivamente os prazeres sensoriais, usando para tal tudo o que possa potenciar os sentidos. Já quase não se pondera a diversão sem a presença do álcool, da droga, do tabaco, de medicamentos e cedo ou tarde esses maus tratos ao corpo virão como danos maiores à mente.

Pese embora, a progressão do ser humano que já se aprimorou relativamente ao tempo em que matava para sobreviver, ainda está bem longe daquilo que seria razoável nos tempos actuais.

Prostitui-se o corpo de variadas formas: na entrega por compensação económica; quando consome substâncias que potenciam sensações, inibições, alienações. Maltrata, fragiliza quando não respeita as necessidades de descanso, de higiene, quando por questões estéticas vai a sacrifícios desumanos, alimentação deficiente, uso de substancias químicas para atingir a pseudo perfeição.

Duvido que não haja um rasgo de consciência a alertar para as consequências futuras e tenho a certeza de que todos os excessos irão aparecer mais tarde sobre a forma de transtornos emocionais e ou mentais.

Porque o corpo é a casa onde vivemos enquanto pessoas, maltratar essa casa é prostituir quem somos. E nós somos, a soma de todos os sentidos, que entram na equação do nosso bem-estar e da nossa sanidade mental. Respeitar o nosso corpo é respeitar a nossa essência e essa é a parte mais importante de nós."


quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

A saúde precisa de tratamento!

Quando a medicina é um negócio, os hospitais empresas, com um orçamento a cumprir é quase inevitável que os médicos, queiram ou não, se transformem em economistas e ao invés   de irem ao encontro do doente e das suas necessidades estão mais preocupados em diminuir as despesas dos hospitais, ignorando os direitos dos que pagam para ter acesso a uma saúde digna.

Parece-me estar subjacente uma intenção maliciosa por parte de quem gere os assuntos da saúde. Por um lado, empurra os utentes para o privado, muito embora continuem a descontar a parcela da saúde, por outro, quem sabe, justifica a eliminação do SNS a médio prazo.

Aos poucos manipula-se a opinião pública, obrigando os doentes a procurar soluções urgentes quando a saúde é urgente (os que podem). Os que não podem, limitam-se a esperar conformadamente por uma saúde lenta e tantas vezes tardia.

A minha médica do SNS defendia há dias que preferia apostar na prevenção, mesmo sendo criticada por mandar fazer muitos exames. Dizia que era mais feliz ao salvar um doente pela prevenção do que lhe ao dar-lhe o melhor conforto na doença…

Num país ideal, com governantes verdadeiramente inteligentes deveria ser assim, mas também entendo que o negócio da saúde tem que servir a muitos senhores… até aos senhores das funerárias…


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Agarrem-me senão candidato-me!

TERÇA-FEIRA, 18 DE AGOSTO DE 2015

Eu estava convencida que o poder era uma carga de trabalhos: 

- nada fascinante; 
- envelhecia precocemente; 
- dava muitas preocupações; 
- era mal pago; 
- anulava a vida pessoal, etc.
Afinal estava enganada porque à velocidade com que aparecem candidatos à Presidência da República, quais cogumelos no Outono, vejo que é muito atractivo.
Mas também, as condições para o cargo não são nada de mais: tudo se resume à proposta de um partido ou a quantidade certa de assinaturas.

O resto, aquilo que faz a diferença entre o carácter, a competência, a integridade, isso, isso não tem importância nenhuma.


1 comentário:

  1. Mas muitos deles sabem, porque não são totalmente destituídos, que, no fim, apenas terão colhido os seus quinze minutos de glória...

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Minha cidade quase perfeita...


Este Porto que eu amo está cada dia mais bonito.  

O Porto dos meus encantos tem de tudo um pouco: uma história rica cujos sinais estão em todo o lado; tem jardins para o lazer das famílias, passeando ou simplesmente para o descanso na relva em dias de maior calor. 

Florescem os eventos culturais; muitas iniciativas podem ser usufruídas de forma gratuita.

As zonas históricas: a ribeira, os monumentos que contam cada a sua historia e todos eles são a história rica desta cidade “Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto”.

Andar a pé no Porto é encontrar a cada canto o encanto. 

Vielas de casas simples e janelas floridas que surpreendem a cada esquina. 

Escadas sem fim em direcção ao rio.

O rio e o mar na comunhão dos matizes da noite ou do dia. 

Nas ruas mistura-se o colorido das mais variadas línguas.

Jovens e menos jovens correndo para as escolas ou  para os empregos, no burburinho dos transportes e das ruas pejadas de vida. 

Transportes bem organizados e que melhoraram muito nos últimos anos. Conheci este Porto sem metro e mais sereno mas menos pujante de vida diurna e nocturna.

A naturalidade dos costumes, a abordagem fácil, tudo isto é lindo, tudo isto é Porto, mas, quem está no comando percebe o que temos e estamos a perder gradualmente? 

quem está no comando percebe que tem que ser preservada a vida e a dignidade das pessoas, o pulsar dessa população genuína, onde reside a alma deste povo?

É  preciso tratar bem a alma desta cidade.

É preciso vigiar a paz que nos cerca. 

É  preciso a firmeza de não permitir a aculturação, trocando o típico pelo atípico, porque o Porto está na moda.

O Porto seduz e atrai e se não o cuidarmos, poderemos transformar esta cidade num espaço sem identidade e sem alma....

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Violência doméstica

 

Li no JN que a EARHV- Equipa de Análise Retrospetiva de Homicídio em Violência Doméstica divulgou o 3 º Relatório e nele são produzidas algumas recomendações e sugestões.

Desde logo chama a minha atenção o desfasamento no tempo, entre o ocorrido, a decisão do tribunal e o relatório da EARHV. Há um espaço de 3 anos entre o 1º momento e o último…

Sugere ainda o referido relatório, que deve ser priorizada a retirada do agressor da residência ao contrário do que acontece até agora em que a vitima e os  filhos são forçados a abandonar as suas casas e rotinas para ficarem fechados na chamada casa abrigo, por precaução, é certo, enquanto o agressor fica à solta, potencialmente mais agressivo e descontrolado por perder o acesso à vitima e sentindo-se desafiado na sua pretensa autoridade.

As vitimas são, desta forma maltratadas duas vezes.

Porque não experimentar o contrário e criar uma casa abrigo de preferência com grades como forma de "ajudar" o agressor no controle da raiva? 

Falta eficácia, autoridade e essencialmente bom senso. E o bom senso diz que a primeira coisa a fazer deveria ser isolar o agressor até que acalme os seus baixos instintos.

Serão precisas mais quantas comissões para chegar a essa conclusão tão “evidente”?

Efectivamente, vemos multiplicarem-se as comissões, as associações, mas a actuação que se quer célere, não acontece. É uma espécie de folclore nacional onde são criados cargos para pessoas que apenas falam e escrevem bem, mas da violência efectiva sabem pouco.

A violência doméstica é vergonha nacional e enquanto andarmos apenas com sugestões, continuarão a encher-se as páginas dos jornais. Já se percebeu que só pela eficácia, rapidez de actuação e autoridade se conseguirá educar mentalidades paleolíticas, sem valores, sem respeito e sem cultura.