sexta-feira, 23 de março de 2018

Mentes brilhantes

 

Euribor negativa vai dar crédito para descontar nos juros da casa, mas permite aos bancos adiar esse impacto para quando as taxas Euribor entrarem em valores positivos.

Notícia de última hora e proposta do Bloco de Esquerda.  

As pessoas deixam de poder pagar a prestação do empréstimo à habitação, mas os bancos não hesitam em abrir um contencioso no imediato, sem atender a alternativas por parte do pagador. 

As empresas não conseguem pagar os seus impostos, mas não lhes é dado o tempo para se reequilibrarem, sendo a penhora muitas vezes o mecanismo com que se liquidam empresas e postos de trabalho.

O cidadão perde o emprego, deixa de poder pagar os seus compromissos, mas não lhe é dada uma segunda oportunidade; pior ainda, pelo facto de estar a pagar um empréstimo para habitação, é entendível que já é proprietário de uma casa (que também lhe será tirada pelo banco), logo não tem acesso a apoios económicos. 

Esta “brilhante” decisão é mais do mesmo: uma benesse para os bancos. 

Fico à espera de ver se, quando e como será este direito aplicado! 

E é isto uma proposta da esquerda; olha se fosse da direita!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A insustentável leveza da justiça

 

De vez em quando a justiça dá um ar da sua graça e põe nas bocas do mundo nomes sonantes da nossa praça.

O povo fica feliz e convencido que ninguém está imune às malhas da lei.

Abençoada a fé deste povo que nunca se cansa de acreditar!

O povo fica eufórico e durante uns tempos são temas servidos no repasto, em conversas animadas, onde uns e outros têm opinião formada e sentença dada.

Afinal acredita-se, a justiça funciona!

Será?

Entre o sensacionalismo da comunicação social e o desfecho destes casos mediáticos muita tinta há-de correr, muitos processos irão prescrever e em muitos casos tudo se diluirá num tempo demasiado longo entre o crime e a punição, o que infelizmente é apanágio da justiça portuguesa.

Esquecem-se os “justiceiros de bancada” de tantos escândalos de corrupção que já sobrevoaram este país, envolvendo figuras de destaque e afinal, onde estão os resultados práticos; onde a recuperação dos valores surripiados; onde a pena efectiva que sirva de exemplo inibidor para outros casos futuros?

Tal como a saúde, também a justiça é artigo de luxo e quem pode pagar uma boa defesa consegue quase sempre escapar por entre as malhas da lei.

Restam uns nomes arrastados na lama.

Sim e depois… nada que lhes tire o sono…

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Portugueses são os que chumbam mais cedo

 

“Portugueses são os que chumbam mais cedo”, dizia o JN de 12 Dezembro 2017

Com este título tão sugestivo, a leitura que se faz de imediato é que os alunos portugueses são os menos inteligentes ou persistentes da Europa. A leitura não deixa margem para dúvidas: os nossos alunos são medíocres porque desistem da escola.

Porque tudo o resto é perfeito!

O ensino em Portugal está nos melhores níveis europeus, senão vejamos: os programas estão adequados às necessidades do universo escolar; o preço dos livros e material escolar é perfeitamente acessível ao bolso dos portugueses; o acompanhamento escolar é de boa qualidade e só não é melhor porque os pais não colaboram com a escola: eventualmente porque trabalham e ninguém parece perceber que as deslocações à escola deveriam ocorrer em horários que não penalizassem profissionalmente os pais; e por fim a qualidade dos nossos professores é tão boa que toda matéria é aprendida na escola e nem é preciso os pais gastarem fortunas em explicações para que os filhos atinjam o nível necessário para passarem de ano. Por tudo isto o ensino em Portugal está de parabéns, à excepção dos alunos! Os alunos esses não!

É pena que se dêem notícias tendenciosas e não haja coragem para ir mais além. Se calhar os alunos desistem porque não se revêem na escola; talvez porque a escola presta muita atenção aos bons alunos e pouca aos menos bons; e finalmente porque o que se pede ao professor dos nossos dias é que tenha as habilitações académicas e saiba debitar informação, ao contrário do Mestre do antigamente que tinha o prazer de ensinar e que para muitos da minha geração foram referências para a vida.

Na equação mão-de-obra e matéria-prima só existe um bom resultado se o professor souber moldar o aluno rumo ao conhecimento para um melhor desempenho  social e profissional.

Ninguém pede aos professores para educarem os nossos filhos. Pede-se-lhes que tenham competências para passar o conhecimento.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

De cabeça perdida

PUBLICADO NO BLOG "A VOZ DA GIRAFA" QUARTA-FEIRA, 18 DE OUTUBRO DE 2017

Por muita presença de espírito que qualquer governo tenha, é fácil perceber a desorientação, o andar a atender a interesses que não se controlam, o “empurrar com a barriga” a ver se passa. 
E isso é o que temos observado na situação grave que o país enfrenta, relativamente à criminalidade incendiária. 
Neste fenómeno dos fogos, que está longe de ser explicado, menos ainda de ser controlado, percebe-se a cabeça perdida deste governo ao tentar, também, apagar os “fogos” internos que se desenham decorrentes da pouca eficiência demonstrada.
E aqui sou obrigada a tirar o meu chapéu ao Presidente da República que muito assertivamente disse o que se impunha numa situação destas. 
Habituados à postura distante e pouco humanizada da Presidência anterior, é agradável ver a proximidade do actual PR: o ir aonde faz falta, o dizer no momento oportuno, o manter a harmonia até onde é possível para a boa gestão do país. 
São  atitudes novas e muito positivas a que não estávamos habituados...


1 comentário:

  1. Verdade. Receio que nem assim se vá lá, que os políticos de topo, principalmente esses, andam demasiado enredados em tática para conseguir ter estratégia. Neste caso, quase literalmente tão preocupados com a ŕvore que não conseguem ver a floresta. MAs entre eles há um, o Presidente da República, que me dá alguma esperança de ao menos ele não ir largar o assunto, ao virar do próximo caso.

Um país abandonado


Somos todos culpados dos erros da governação pela inércia, pelo “deixa andar”, a par com o palpite fácil sem consequências.

Fizeram-se ontem manifestações de rua porque aqui ao lado, na vizinha Galiza o povo também veio para a rua 
manifestar-se pelos 4 mortos nos incêndios. Ninguém se lembrou de manifestar-se pelos nossos mortos de Pedrogão.

Temos uma participação cívica deficiente e as gerações do futuro não estão muito interessadas na intervenção politica, 
esquecendo que o nosso país não é a Europa (com diversos níveis de desenvolvimento), mas apenas este pequeno 
rectângulo chamado Portugal, que há que cuidar, para que melhor seja o futuro.

Depois do abandono a que foram votadas as populações do interior, a quem tiraram as infraestruturas necessárias a 
alguma qualidade de vida (centro de saúde, tribunais, etc.). ainda exigem uma comunidade proactiva. Esquecem 
que são na sua maioria pessoas envelhecidas, que enquanto jovens sempre zelaram pelo que era o seu património, 
mas agora não têm forças, nem voz, nem autoridade e a quem o poder sucessivamente ignora.

Na grande vaga da fuga para a capital de recursos e de pessoas que lá se enclausuram a dar as ordens ao 
resto do país é natural que passe despercebida a degradação do território e o isolamento em que as populações vivem.

E os da moral em alta, como é o caso da líder do CDS, também esquecem que enquanto Ministra que foi da 
Agricultura e Florestas, nada fez para colmatar a situação que agora explode da forma que se tem visto.

Depois também queremos acreditar que temos um governo autónomo, independente mas, na prática, o que temos são 
político são o serviço de um poder maior: o grande capital!

E nesta repetição de escândalos financeiros, é recorrente a ausência de consequências para banqueiros corruptos, 
para empresas que gerem o dinheiro dos nosso impostos, com a conivência dos sucessivos governos, em negócios 
como o SIRESP, em empresas alimentadas com o dinheiro que deveria ser para desenvolvimento (ordenação/limpeza 
do território nacional, por exemplo), e que se encontram blindadas ao acesso da investigação.

A Protecção Civil foi criada para calar, travar e monitorizar os bombeiros e em termos concretos não se criaram melhores 
resultados no combate aos fogos. Pelo contrário é nítido o mal estar latente entre as duas entidades. Com toda a clareza 
percebe-se que foram mais uns quantos lugares bem remunerados e entregues a quem não tem competência, nem 
formação adequada, como se viu recentemente.

Cria-se o monstro e depois este toma conta do criador!

Sobrevalorizam-se os intelectos sediados na capital, como se a inteligência fosse atributo dos senhores de Lisboa 
e esquecem que nos mais diversos locais existem pessoas que fariam toda a diferença nas soluções para os problemas: 
os presidentes de câmara para exercerem o poder  que conquistaram têm que ir ao “beija-mão” a Lisboa, numa atitude 
subserviente, quando tem toda a legitimidade porque foram eleitos para resolver os problemas que se colocam nas suas regiões.

O simples presidente duma Junta de freguesia, figura na cauda do poder politico, se bem preparado e com características 
além do “saber ler e escrever” poderia nesta situação de calamidade, prevenir muitas das situações que deflagraram.

Bastava para tal o conhecimento do terreno que obrigatoriamente devem ter, a formação e algum equipamento - uma 
simples máquina de limpeza de terrenos.

Como diz o povo grão a grão…  se cada Junta de freguesia tivesse o necessário para limpar a seu território, porque 
melhor que ninguém eles conhecem as fragilidades locais, a situação nacional estaria redondamente melhor.

Como prioridade limpar, substituindo-se a quem não limpa; depois apresentar a factura. Tenho a certeza que era 
melhor solução do que as multas e multinhas e os grandes estudos que os governos começam e nunca acabam.
Para quem não pode, não quer ou está longe é a forma mais vantajosa a ambas as partes e mais adequada para 
prevenir, salvar e gerar um orçamento próprio para as freguesias.

Mas isto são ideias minhas, porque o que se vê é cada vez mais a aposta em frota automóvel para a Protecção Civil 
porque aí sim dá uma aparência de maior modernidade…

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Os diferentes rostos da loucura


No mundo em que vivemos a vida vale pouco e dependente das leis de alguns países ainda vale menos. 
A criminalidade banaliza-se no mundo, e até neste nosso país à beira-mar “espantado” a lei é cada vez menos inibidora.

Caricato é que a fasquia da protecção dos animais sobe e a dos seres humanos desce.

E depois para uns quantos criminosos com graves perversões e desequilíbrios, fruto de lavagens cerebrais por que passam desde tenra idade, a vida humana não merece mesmo qualquer respeito.

A estes, insistem em chamar terroristas; para mim são apenas seres dementes obcecados pelo ódio e pela intolerância.

Chamar-lhes terroristas é atribuir-lhes uma causa e desde logo uma dignidade que não tem.

Porque lutar por uma causa que se considera justa é no mínimo garantir o respeito por alguns valores éticos e morais, nomeadamente desenvolver a luta/actuação contra os opositores/culpados e nunca sobre pessoas que não são directamente responsáveis pelo que se crê ser o problema.

Mas para os mentores destes actos criminosos não há regras; Há tão somente a selvajaria a todos os níveis. Eles são conscientes de que não há horror maior do que não saber onde e como pode acontecer.

Afinal esta gente que quer submeter o mundo à sua fé ficou parada no tempo da barbárie, não respeitando nem as mulheres e crianças do seu próprio povo, que são na sua perspectiva seres menores e podem ser usados como verdadeiros objectos na sua sede de vingança.

Observa-se, entretanto nos últimos tempos, neste fenómeno de criminalidade cobarde que o Daesh vem implementando, uma atitude recorrente:
- agora os autores já não se explodem nos atentados: fogem e escondem-se, tentando escapar.
Porque será?
Será que começam a duvidar das virgens prometidas?

Será que a lavagem cerebral está a perder terreno – será que uma outra lavagem cerebral em sentido contrário especialmente sobre os muito jovens inseridos nos países europeus, onde os ataques tem decorrido e que estão no processo de domesticação, com vista a mais atentados, não surtiria efeito dissuasor?

Afinal, se todo o processo passa pela manipulação psicológica sobre estes autores, porque não utilizar a psicologia para tentar esvaziar essas lutas sem causas.
Aí, a comunicação social teria um papel fundamental: ao invés de pormenorizar os atentados que funcionam como relatórios de sucesso para o Daesh, desmistifiquem todas as crenças massivamente, como uma espécie de guerra fria psicológica.

Talvez que aos jovens que nascem para matar, chegue aos poucos outra informação e possam decidir pela sua própria cabeça...

...e talvez que o Daesh fique sem acesso a tantos idiotas à procura de uma causa...

PUBLICADO NO BLOG "A VOZ DA GIRAFA"  QUARTA-FEIRA, 23 DE AGOSTO DE 2017



segunda-feira, 31 de julho de 2017

“O rei vai nú”

TERÇA-FEIRA, 1 DE AGOSTO DE 2017


Existem mecanismos judiciais para proteger/impedir o cidadão comum de tomar decisões perigosas para si e para os outros. 

Através de avaliação psicológica pode provar-se a incapacidade de algumas pessoas em gerir tarefas necessárias à sua autonomia. Sempre que é preciso corrigir um comportamento errático, incoerente, imbecilizado, a lei tem mecanismos (morosos é certo) mas eficazes.

E em relação à imbecilidade de pseudo-líderes - quando à frente dum país, de quem dizem ser o mais poderoso do mundo, está um homem chamado Donaldo Trump, perigoso só porque pensa e que muda de opinião a cada 24 horas, como se faz?
Aguarda-se que, de disparate em disparate, vá até ao disparate final. 
Respeita-se o facto de ter conseguido chegar ao poder e espera-se  que cumpra um mandato que começa a ter graves consequências para os EUA e não só?
Que mecanismos existem (se é que existem) para controlar este barril de pólvora, chacota de adversários e até aliados, a quem faltam os valores fundamentais a qualquer pessoa, menos ainda a quem  ocupa o cargo político mais influente do mundo. 
A avaliar pelos tristes exemplos que nos vão chegando, isto só vai piorar!
Tantos governantes, ao longo da história, causaram grandes estragos à humanidade e aparentemente eram pessoas “mais normais”.
Talvez que um louco mais louco que ele lhe dê um tiro.