terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Sabedoria do desapego

TERÇA-FEIRA, 15 DE DEZEMBRO DE 2015


Sabedoria da libertação, sabedoria do desapego… estas palavras martelavam na minha cabeça enquanto conduzia, depois de um outro pensamento em que lembrei como seria doloroso dizer adeus a determinados afectos.

Como é difícil amar e ter que dizer adeus. Pela partida, pela ruptura, pela morte…Das tantas formas diferentes que a vida nos reserva.
Também associei este sentimento ao apego material. Quantas vezes já observamos, em algumas pessoas, um sofrimento atroz na hipótese de perderem o seu poder sobre as coisas?
Todos estes pensamentos, acontecem precisamente uma semana antes de passar por uma das maiores provações da minha vida: o falecimento do meu pai. O ser que eu mais admiro (ainda não consigo usar a expressão no passado), uma pessoa linda em toda a sua dimensão.
A SABEDORIA DO DESAPEGO… o conseguir aceitar, o deixar partir, sem revolta, sem sofrimento.
Sei agora que nada acontece por acaso. Percebi que um espírito sábio antecipou e preparou a minha alma para o que viria.
Neste momento, mais que nunca, tento aplicar a sabedoria do desapego. Pôr em prática tantas das minhas teorias sobre estes assuntos.
Mas não é fácil!
Racionalmente sabemos, que a morte está presente desde o momento do nosso nascimento, mas emocionalmente não aceitamos quando acontece. É mais fácil acreditar que os nossos amores são eternos… Que os nossos afectos não morrem!
À luz das minhas crenças mais profundas, quero acreditar que sim! Que os nossos amores não morrem e os nossos afectos permanecem para além da morte.
Só acreditando aceito que lá, onde possa estar meu pai, minha mãe e todos aqueles que amo, o sentimento forte que nos uniu prevalecerá para sempre no meu espírito enquanto tiver memória.
É difícil, mas é necessário para que as dores mútuas sejam mais fáceis de ultrapassar.
Saber deixar partir, aceitando como benéfica a partida, só depois de muitos ensinamentos de muita reflexão. Porque todos os amores, os presentes e os ausentes, são importantes para a nossa sobrevivência, a nossa continuidade.
Sabedoria está no aceitar, no acreditar que continuamos, embora não fisicamente, a comunicar e a lembrar desses afectos, desses amores como se apenas estivessem distantes geograficamente.
Libertação… desapego… aceitar que a distância entre a vida e a morte é muito ténue, sentimentos que deveríamos trazer quando vimos ao mundo.
Não é assim! Temos que ir conquistando esse desapego através de ensinamentos, de meditação.
"Conta-se, que uma mulher muito rica foi visitar um homem muito sábio com quem se queria consultar. Ao entrar na sua pequena cela, ficou estupefacta pela pobreza do lugar. Perguntou então ao homem sábio, porque não tinha moveis, o porquê de tanta pobreza? O homem sábio devolveu a pergunta, perguntando-lhe pelos seus móveis, ao que ela retorquiu, não tenho, pois estou apenas de passagem. Então, o homem sábio serenamente respondeu, eu também!”
Efectivamente estamos apenas de passagem! Uma passagem mais breve ou mais longa, mas apenas de passagem!
Logo, os bens materiais, tal como os afectos, deverão ser usufruídos de acordo com as nossas necessidades, mas sem apegos dolorosos, pois será sempre de forma breve.

A meu pai com todo o amor que me ensinou
11.03.2008, 11,55h

1 comentário:

  1. E o pai, feliz estará, por a sua filha ter sido tão boa aluna.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Marcelo Presidente!

DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015


Abram alas; toquem-se as trombetas; Marcelo é Presidente!
Ganhou na secretaria, mas ganhou!
Afinal temos um voto e para que serve se o oferecemos de bandeja aqueles que nos são indicados pela comunicação social através dos seus manipuladores.
Não tenhamos ilusões: jornalismo independente não existe e se existe os donos da comunicação social não os querem. Por outro lado quem são os donos da comunicação social senão os próprios politicos e afins!
Pois, a chamada pescadinha de rabo na boca...
Então, era suposto que o voto que ainda nos pertence fosse usado com sensatez, mas qual o quê?
Dá trabalho ir à procura de informações para tomarmos uma decisão inteligente quando afinal perdemos tempo em tanta coisa inútil...
A informação está aí para quem quiser ser coerente e consciente. Não é dificil constatar quem é quem de entre os candidatos, mas ao invés e depois de tantas lavagens cerebrais até ao dia das eleiçoes, provavelmente vamos oferecer, por mera preguiça, o nosso voto a quem nunca fez nada por este país a não ser sevir-se para consumo próprio.
Pessoalmente estou cansada de tantos teóricos a invadir a nossa intimidade com palpites e soluções para tudo quando eles próprios nada fizeram de consistente que lhes dê a legitimidade para dar conselhos a ninguém, menos ainda para governar um País que precisa urgentemente de ser governado.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A rede

SEXTA-FEIRA, 11 DE DEZEMBRO DE 2015


Generalizou-se perigosamente o uso das novas ferramentas de comunicação e para algumas pessoas, ainda na fase de deslumbramento é quase um milagre a forma como se comunica ao minuto, sem os antigos custos, na conta telefónica, nos correios, nas deslocações aos diversos organismos que agora estão “pendurados” na net.
Mas, e há sempre um “mas”, alguém se questiona o que está, ou quem está por detrás destas novas tecnologias?
Como acho que ainda não são robots, serão pessoas com as suas competências e defeitos. E a ética (termo que até está na moda), ou a falta dela cabe em todas as pessoas.
Ora quem tem este tipo de actividade acede com toda a facilidade à nossa vida privada.
Pergunto: alternativa?
Deixar de usar e ficar fora da rede? Usar moderadamente?
O “moderadamente” não existe, nomeadamente quando vemos casos como o facebook e afins, em que de meia dúzia de amigos e sem qualquer permissão nos aparece uma quantidade absurda de gente que ninguém conhece a quererem ser nossos “amigos”.
O tempo dirá, aliás o tempo já tem mostrado os muitos perigos que este uso aligeirado tem criado e que ainda poderá criar!

Mas era bom que mais informação chegasse às pessoas para sua protecção, a não ser que este estado de coisas sirva o poder estabelecido para controle dos cidadãos. 

5 comentários:

  1. Pelos menos os Serviços Secretos das grandes potências conhecem-nos ao pormenore, do ponto de vista político-ideológico. O que é o nosso caso que expressamos aqui a nossa opinião. Isto é uma coisa infernal. E não é por isto que o povo/os andam mais bem informados. A imprensa escrita, onde eu gosto muito mais de escrever, está a ir à vida e cortar-nos o pio. Veja por exemplo o DN e a Noticias Magazine. Esta, tinha 4 ou 5 páginas para os leitores, agora não chega a meia. Vivemos no tempo dos big brothers.
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  2. É apenas um pormenor, mas convém rectificar. O que acima escrevi, tem um (e) a mais.
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  3. A ignorância serve todos os poderes. E a forma demente como grande parte dos deslumbrados com as redes se despe para o mundo é pura ignorância
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Olha para o que eu digo; não olhes para o que eu faço!

SEGUNDA-FEIRA, 7 DE DEZEMBRO DE 2015


Quando ouvimos esta gente que sempre viveu da política, onde entraram jovens estudantes e permanecem já de cabelos brancos, com aquele tom paternalista como se falassem para um bando de ignorantes, só me apetece perguntar de onde vem esta gente? De que aviário saíram?
Eles são peritos em economia, em finanças, em educação, em saúde. Será?
Onde adquiriram tantas competências se alguns apenas se conhecem a viver da política e trabalho dito trabalho nunca exerceram?
Que provas deram ao país da sua honestidade, lealdade e competência quando se propuseram servi-lo?
O comum cidadão em busca de emprego de salário mínimo é muitas vezes maltratado, sendo-lhe exigido de tudo (qualquer dia até uma amostra de ADN); esta gente da política que vai gerir o erário publico e mexer com influências poderosas, nada lhes é exigido a não ser a bênção do padrinho certo.

O mundo gira ao contrário: quem deveria servir, serve-se!

Direita (PSD e CDS) quer prisão por deixar idosos nos hospitais

SEGUNDA-FEIRA, 7 DE DEZEMBRO DE 2015


Uma sociedade que não dignifica os seus mais velhos, seja através da família, seja através do estado é pouco evoluída.

Este é um título no JN de hoje.

Depois de lhes serem retirados os centros de saúde de perto de casa, de lhes trincarem as reformas. Depois de os deixarem nos corredores dos hospitais a morrerem sozinhos sem a dignidade que qualquer ser humano merece, vem agora esta direita pseudo moralista falar nestes termos quando foi durante o “reinado passado” que maior maltrato a população em geral e os idosos em particular receberam.

Afinal o que temos neste universo de iluminados são meia dúzia que, “nunca se enganam e raramente têm dúvidas” e outros, a maioria, que muda de opinião à velocidade dos seus interesses políticos e dependendo do lado da barricada onde estão.

Se alguém deveria estar na prisão foram aqueles que levaram o país ao estado em que está, em que muitos fizeram fortunas imorais e outros, que no passado até tiveram o necessário, chegam ao ponto de estenderem a mão à caridade e se o não fazem, por vergonha, passam fome.


Sempre achei que a diplomacia era o ofício dos políticos. Enganei-me! A sua arte é a demagogia, onde são grandes especialistas e doutorados.

3 comentários:

  1. O problema é que quem deixa os idosos nos hospitais, normalmente não tem condições económicas para os assistir convenientemente. Ou se tem capacidade económica não tem sentimentos de respeito e amor pelos idosos. Por outro lado, quando existem 5 ou 6 filhos ou dezenas de netos, quais seriam os que seriam responsabilizados e presos. A demagogia e a falta de respeito pelos cidadãos está na formulação desta proposta, pois se as pessoas estão cada vez mais na miséria foi o governo cessante que muito contribuiu para isso. Isto é uma vergonha que devia envergonhar os próprios proponentes.
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  2. Tenham calma porque agora este XXI governo vai resolver tudo.
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    1. Se continuar a piorar será o fim do sistema, pois quem anda com atenção ao que se passa à sua volta, só pode desejar que melhore. Não se trata de um Benfica/Sporting, mas dos problemas, quase insolúveis, que estão no rectângulo onde decorre o jogo da vida portuguesa. Gostaria que os que nos governaram fossem mais conhecedores da sua missão. Contudo, continuo a desejar êxito aos actuais governantes, para bem de todos nós, mas, na verdade, não acredito que sejam competentes, porque o hospital está cheio de enfermidades para as quais os medicamentos até hoje utilizados não têm poder curativo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Memórias

SÁBADO, 5 DE DEZEMBRO DE 2015


Enquanto tiver memória, eu vou lembrar-me de ti,

porque estás nas minhas veias,
vivendo através de mim.

eu vou lembrar, os rios onde nadei,
os montes que percorri,
as fogueiras que acendi... contigo…

As histórias que me contavas, enquanto eu adormecia.
O medo que eu sentia, somente tu afastavas,
dum jeito que tu sabias e a mais ninguém caberia
como a ti...

Espantavas o cansaço, emprestavas o abraço
e o teu sorriso especial…

Apesar do desalento, dessa luta contra o tempo
e dos teus sonhos desfeitos,
continuas-te na vida com a alma agradecida
pelo pouco que te dava...

E sempre que foi preciso, ali estava o teu sorriso
de tanta serenidade...

Espantavas o cansaço, emprestavas o abraço
E o teu sorriso especial…

Enquanto eu tiver memória, vou lembrar como tu eras...
enquanto eu tiver memória, eu vou lembrar-me de ti…

A sombra que fica

SEXTA-FEIRA, 4 DE DEZEMBRO DE 2015


Observa o mundo que te rodeia

com a profundidade das grandes decisões
e no íntimo da tua alma silenciosa
faz as perguntas fundamentais.
Verás que em ti mesmo acharás as respostas.

Presta atenção à qualidade dos abraços
e ao piscar dos olhos dos hipócritas

Atem-te na observação de ti mesmo.
Avalia o que escolhes e porque o escolhes.
Tens apenas uma oportunidade. 
Sê coerente!

 A vida pode ser de uma enorme simplicidade, 
assim o queiras!

Presta atenção à qualidade dos abraços
e ao piscar dos olhos dos hipócritas

Quando nascemos somos sós
e quando caminhamos para o fim
também somos apenas nós...
na solidão do caminho individual
que é o nascimento e a morte...

Aí, na hora de deixar o mundo das acções
Quando nada depende mais de nós
Que seja nossa, a sombra iluminada
Perdurando naqueles que ainda ficam…