quinta-feira, 22 de junho de 2017

É que não aprendemos mesmo...

SEXTA-FEIRA, 23 DE JUNHO DE 2017


Sabem aqueles alunos que fazem várias vezes os mesmos exames, prestam as mesmas provas e não conseguem assimilar a matéria?

 - Assim somos nós!
 - Assim é a nossa Protecção Civil!

Só que quando não se trata da segurança de pessoas e bens, até se pode levar uma "raposa" para casa.
Em se tratando da vida das pessoas, deveria existir mais rigor na escolha desses dirigentes.

E eu tenho imensas dúvidas nesse rigor. São escolhidos porque são simpáticos, porque tem experiência? Saberão eles alguma coisa de geografia, de serras e montes, árvores e florestas?

Vão ao terreno planear, estudar soluções para a época dos incêndios? -
É que a época de incêndios deveria ser como o Carnaval: acaba um planeia-se o seguinte!
... observando a imponente e brilhante frota automóvel, vemos que são carros que circulam demasiado nas cidades e pouco nos locais a que são destinados.

Preferível era investir menos nesses carros para passeio de dirigentes, que pouco ou nada dirigem e mais numas quantas máquinas de limpeza de florestas a entregar às juntas de freguesia, cujos presidentes, embora na base da cadeia da importância politica, são quem conhece, ou deveriam conhecer o terreno onde se movimentam. E a serem bem apoiados e formados seriam fundamentais para colmatar muitos dos problemas que os senhores da cidade desconhecem.

Por outro lado parece perceber-se, desde a criação da Protecção Civil, existir uma espécie de cisão entre a mesma e as corporações de bombeiros que são quem dá o corpo e a cara e que por isso mesmo deveriam ser tratados e ouvidos com todo o respeito que merecem.

Por fim, só resta arranjar uns quantos culpados para tragédia tão grande... e há opiniões para todos os gostos: o raio que partiu a árvore, o governo, particulares, legislação, madeireiros, falta de comunicações (...então a Prot. Civil não tem meios de comunicar quando os incêndios queimam as antenas, o que deve acontecer demasiadas vezes?), GNR...e esquecem-se que todos são culpados por qualquer coisa, no essencial porque tem faltado a coragem e o bom senso para escolher a competência para cargos tão sensíveis.

Provavelmente (?) vão ser culpados, depois de longos inquéritos e muito dinheiro gasto, os GNR que sem orientação, orientaram como sabiam e aparentemente encaminharam para a estrada da morte quantos no desespero de se sentirem abandonados à sua sorte tentaram escapar de qualquer jeito.

5 comentários:

  1. Os culpados são os que transformaram o interior do país numa desordenada floresta onde predomina o eucalipto e acabaram com a agricultura tradicional (claro que devia ser modernizada...) Não sabe quem são, Fátima? Mas também os que lhes têm dado corda e os restantes que não têm tido o engenho e a arte de os "impedir". Sabe quem são os culpados, Fátima? Somos todos nós. Os portugueses. Agora, pode ter havido um erro ou uma falha aqui ou ali, mas eu não aponto o dedo a ninguém. Devíamos era mudar todos, como isso não é previsível...
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  2. Depois de escrever o comentário, lembrei-me e fui ver o título do seu texto "É que não aprendemos mesmo..." e cá está! Afinal também sabe quem são os culpados! Estamos de acordo.
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  3. Nos governos que se seguem, tanto nos nacionais, como nos locais, os militantes políticos que os formam, normalmente são sempre com uns graus de capacidade inferiores aos anteriores. Como as actividades cívicas passaram a profissão, para garantir a continuidade em qualquer lugar pago, os chefes, sejam governamentais ou autárquicos, rodeiam-se de elementos que não lhes façam sombra. Com este sistema, a governação foi-se degradando, e cada vez temos mais gente medíocre a dirigir o país. Muitos até são boas pessoas e quando vão à escola buscar os netos até trazem outros miúdos no carro e pagam rajás a todos. Mas são de uma incompetência que incomoda e destrói as nossas vidas. O sistema, baseado no compadrio, está assim em vigor e é difícil dar-lhe a volta.
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  4. Mas o que deu origem a esta tragédia e a grande parte dos incêndios, amigo Tapadinhas, tem a ver com as imposições da PAC em relação à agricultura, e depois à implantação desordenada e intensiva da floresta onde predomina o eucalipto. Imposições que foram aceites, evidentemente, pelos sucessivos governos dos partidos do respectivo arco do poder. Portanto, não tem propriamente a ver com incompetência. Mas concordo consigo, que quem chefia, rodeia-se de gente que não lhes faça sombra. Já agora, recomendo um excelente texto sobre esta problemática (dos incêndios, das imposições e subordinações, etc.) que li na edição de 21 do corrente do Destak da autoria do colunista deste jornal, José Luís Seixas. Basta ir ao Google estão lá as ultimas edições.
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    1. Amigo Francisco Ramalho
      Estou de acordo com o que diz sobre o seguidismo da Política Agrícola Comum, mas isso vem reforçar o que eu penso sobre a incompetência dos governantes, que não sendo capazes de ter um projecto próprio para os problemas do país, escondem-se atrás das orientações de UE, porque, incompetentes como são, desculpam-se com orientações que vêm da União Europeia. É o que temos, e é com este pessoal que temos de conviver.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Crónicas do metro - o telemóvel


Vivemos num mundo tão redondo que a mais insignificante noticia dá a volta ao mundo em muito 
menos que 80 dias. Assim sendo, todos sabem e vêem as mesmas coisas, numa espécie de cultura
cor-de-rosa generalista.
Desde que se escancararam as portas informáticas, a maioria faz muita questão em participar 
nessa sociedade da comunicação e quem não está na "rede"  parece não existir ou é visto como 
anti-social.

Mas analisando por outro prisma, talvez que aqueles que parecem estar fora da rede ou 
aparentam ser anti-sociais tenham, provavelmente , uma vida própria mais interessante e sem 
necessidade de se expor à espécie de big brother em que se tornou uma certa ala da nossa 
sociedade onde a  mediocridade impera e em que por cada passo, por mais insignificante, se dá 
noticia nas redes sociais.

Recentemente comecei a usar o metro de forma assídua e chama a minha atenção a enorme 
concentração que as pessoas dedicam ao telemóvel. 
Quase acredito que essas pessoas tem vidas sociais e/ou profissionais muito  interessantes e 
activas, o que as obriga à permanente atenção e vigilância sobre o mesmo. 

Na minha opinião, é apenas uma forma de evasão que serve para não ter que olhar o outro que 
está mesmo ali ao nosso lado: baixa-se a cabeça para não ver, para não encarar... 
E pensar que durante milhares de anos o progresso do homem consistiu em chegar à postura de 
cabeça erguida, à verticalidade... 
Actualmente baixa-se a cabeça por razões lamentáveis: subserviência, vergonha, cobardia, agora 
até como deferência para com um simples aparelho de telecomunicação.

Abençoada tecnologia que tanto jeito dá a quem governa. É que enquanto  nos distraímos com 
o supérfluo, as grandes questões são resolvidas por quem manda e sem qualquer contestação da 
parte de quem se deveria preocupar com o futuro.

5 comentários:

  1. Excelente! Muito bem observado. E digo-lhe mais amiga, se esta sua correctíssima e interessante constatação fosse publicada no F book, pouco ou nada lhe ligavam, se fosse uma frivolidade, uma ninharia qualquer, tinha imensos comentários e gosto.
  2. Muito bem ! Também penso isso! Incomoda-me que os meus filhos estejam a embarcar. Tento limitar ao máx. o uso do telemovel
  3. Gostei muito do seu texto, Fátima. Aliás ainda um destes dias aqui escrevi sobre algo aparentado. Só que, nesta coisas, fico sempre a pensar dos "dois lados", tipo "filosofia barata" e pergunto-me: a tecnologia "dá jeito ao governantes" e... a nós! O nosso tempo é o tempo deles que... emanam politicamente de nós. E, em jeito de pequena "provocação", deixe-me perguntar-lhe: e se os "de cabeça baixa" estavam a ler o que a Fátima escreveu neste nosso blogue?... Parabéns pela reflexão que nos trouxe!
    P.S. Exactamente neste momento abriu-se uma pequena janela no ecran do computador que me informa que "Trump despediu 46 procuradores". Nem de propósito, informado online, fico mais "cheio" mas a verdade é que o "homem alaranjado" lá está... eleito por "eles" que fazem parte de "nós"...
  4. Esta resposta vai para os 3 companheiros de jornada bloguista. Ao amigo Ramalho, o meu obrigado; à Céu digo que também são minhas essas preocupações. O mundo tem tanta coisa linda para ser vista ao natural e não através do ecran de um tlm. Ao "provocador" digo que os de cabeça baixa não estão, concerteza, a ler o meu texto (?), menos ainda a aprender a cidadania que também está na net. Se assim fosse saberiam, no mínimo, como correr com aqueles que lhe estão a roubar o futuro, cujos nomes aparecem assiduamente nos noticiários... pois mas como são assuntos desinteressantes, viram-se para uma realidade mais interessante... a virtual.

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    Do Blog "A Voz da Girafa"

    PUBLICADO EM: SEXTA-FEIRA, 10 DE MARÇO DE 2017 - 

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Pedro Dias... Semanas... quase um mês

QUINTA-FEIRA, 10 DE NOVEMBRO DE 2016


Era uma vez um piloto
que não sabia voar
e por conta desse defeito
foi obrigado a aterrar.

Disse que não foi assim
e que se estão a enganar
porque ele é boa pessoa
e incapaz de matar.

E há alguns que acreditam
e outros assim assim...
Só uma coisa vos digo
não o queria ao pé de mim.

Porque é forte e tem tamanho,
mete medo que eu bem vi,
ao passar na televisão
eu juro que estremeci.

Pobre piloto e agora
que vai ser do teu destino?
vês o céu nascer quadrado
porque vais voar baixinho!

7 comentários:

  1. Grande poeta( ou poetisa?) é a nossa amiga Fátima! 
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  2. A natureza humana produz tanto maravilhas como crimes horrendos. Até que tudo esteja esclarecido, este cenário é mais que ultrajante, e talvez com uma extraordinária capacidade de compreensão e ironia se possa abordá-lo. Tudo isto me incomoda superiormente e me alarga o campo de descrédito no género humano.
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    1. O ser humano, em grande maioria, preocupa-se mais em construir-se por fora e por dentro vive na maior vulnerabilidade; depois qualquer coisa serve de gatilho para tragédias como esta.

Assim dizem alguns de "nuestros hermanos"

QUINTA-FEIRA, 10 DE NOVEMBRO DE 2016


Vejam com que reverência o  Jornal El País, da Espanha, olha actualmente para os Portugueses. :-)

"El Pais
 Otro triunfo de la diplomacia portuguesa
..  En un intervalo de dos años políticos lusos se han situado al frente de la UE y de las Naciones Unidas JAVIER MARTÍN
  Lisboa 6 OCT 2016 - 14:48 CEST

La elección de António Guterres es un triunfo de su empeño personal, pero también es un triunfo de la diplomacia portuguesa, incluso un triunfo de la carrera diplomática en general, como actividad profesional.
  En un intervalo de dos años, dos portugueses se han situado en la dirección de la Unión Europea (José Durão Barroso, 2004-14) y en la dirección de las Naciones Unidas (António Guterres, 2016), incomprensible si se mide por el tamaño del país, de apenas 10 millones de habitantes. Pero el tamaño no importa.

  Mirando un poco más hacia atrás habría que recordar que el dictador Salazar maniobró hasta convencer a Franco para no aliarse con Alemania en la Segunda Guerra Mundial o que Portugal es miembro fundador de la OTAN, señales ambas de que el país tiene ojos para mirar más allá de sus fronteras. En la ONU fue miembro bianual del Consejo de Seguridad derrotando a las candidaturas de Alemania y Canadá.

En Portugal no cambian los embajadores en función del color del Gobierno, y todos son de carrera
Tanto en el caso de Durão Barroso como en el de Guterres coinciden unas características comunes de aversión a la confrontación, frente al tan hispano “de entrada no”, el “de entrada sí”, del diálogo constante y alargado, haya o no haya decisiones (la mayoría de las veces no las hay). Ambos responden a virtudes congénitas del portugués como son la paciencia y el respeto. Bajo ninguna circunstancia, por extrema que sea, se llega al desaire o al insulto. El portugués ni toca la bocina ni dice palabrotas (“mierda”, por ejemplo)
Pero a esa personalidad individual y colectiva del alma portuguesa, de un país que no irrita a nadie -como otros muchos-, se le añade la preparación profesional. Hace diez meses, Portugal cambió de un Gobierno conservador a uno socialista. El vuelco ejecutivo no significó ningún baile en sus embajadas. Las embajadas portuguesas son dirigidas -sin excepción- por profesionales de la carrera, y estos no cambian en función del color del Gobierno. El nuevo ejecutivo solo ha nombrado a dos embajadores y por su jubilación
La discreción diplomática fue el arma secreta con la que se tumbó la zafiedad política de Junckers y Merkel

Desde que en diciembre Guterres anunció su candidatura a la ONU, todo el cuerpo diplomático portugués, sin fisuras, comenzó a trabajar por él y en el más absoluto de los sigilos. Nadie salió, por su puesto, a hablar mal de Guterres, pero tampoco nadie salió a hablar bien. Los elogios sobre su candidato se decían en privado, metódica y pacientemente, a cada uno de los 193 embajadores de la ONU. La discreción diplomática fue el arma secreta con la que se tumbó la zafiedad política de Junckers y Merkel.

  Pero hay otra cualidad, no menor, que permite a este pequeño país distinguirse en el mundo: su educación lingüística. No hay dirigente portugués que no hable inglés y español, por lo menos. El citado Barroso, como Guterres o como los actuales dirigente del país, el presidente Rebelo de Sousa y el primer ministro Costa, se mueven con total comodidad en los escenarios internacionales gracias a su don de lenguas. No necesitan intérpretes para hablar con Merkel, Hollande o Teresa May. En seis meses, Rebelo de Sousa ha departido cara a cara con más dirigentes internacionales que Rajoy y Zapatero juntos en sus años de Gobierno. Esa cercanía, esa afabilidad con todos, sin prepotencias y sin menosprecios, al final acaba dando sus frutos."

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Porque ganhou Trump

QUARTA-FEIRA, 9 DE NOVEMBRO DE 2016


Há alguns anos e se calhar ainda há, havia uns famosos telefonemas para casa das pessoas anunciando que tinham ganho uma viagem num concurso e que para ir receber o prémio teriam que comparecer no sitio tal, à hora tal e acompanhados do marido/esposa.


Muitos crentes e felizes compareciam aos referidos encontros e conversa vai e conversa vem, saíam de lá com uma viagem a “cascos de rolha” e um contrato assinado para a compra de artigos de que nem precisavam e a pagar por muitos meses.

Caídos na realidade, tentavam remediar a situação, uns conseguiam outros não.

Depois era o corolário de lamentos, gastos com advogados, ou apenas o conformismo de saber que se fez asneira, assumindo o prejuízo.

Não sei se neste caso foi uma situação semelhante: conversa vai, conversa vem e como as eleições americanas são como as novelas portuguesas que duram uma eternidade, a páginas tantas já ninguém sabia quem era o bom ou quem era o vilão e vai daí votarem de cruz.

Que diga-se, em abono da verdade, nas novelas portuguesas o bom é sempre parvo (para não lhe chamar outra coisa) e o vilão inteligente. 

Por cá votamos nos parvos ou nos espertos?

1 comentário: